18/09/17

Doutora Cristina Martins-Anterbista

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Anterbista cun Cristina Martins

Doutora Cristina Martins



[Por oucasion de la publicaçon de la sue tese de doutoramiento Línguas em Contacto, "saber sobre" o que as distingue, eiqui se deixa la anterbista dada pula Doutora Cristina Martins al Jornal Nordeste, an 2005.]



“Os alunos que frequentavam a disciplina de Mirandês eram os que melhor distinguiam o mirandês do português”,
diç la Doutora Cristina Martins, porsora de l’Ounibersidade de Coimbra, an anterbista al Jornal Nordeste pa la fuolha Miranda: tierra, giente i lhéngua.
La Doutora Cristina dos Santos Pereira Martins ye porsora de la Faculdade de Lhetras de l’Ounibersidade de Coimbra. Passou l mais de l sou tiempo cumo ambestigadora ounibersitaira a studar la lhéngua mirandesa, habendo yá publicado un gordo manhuço de studos subre essa lhéngua. Partecipou de modo atibo na fazedura i aprobaçon de la Cumbençon Ourtográfica de la Lhéngua Mirandesa, assi cumo ne l sou Purmeiro Acreciento. De ls trabalhos que yá dedicou a la lhéngua mirandesa, hai dous que subírten po riba ls outros: “Estudo sociolinguístico do mirandês. Padrões de alternância de códigos e escolha de línguas numa comunidade trilingue” (tese de mestrado); “Línguas em contacto: ‘saber sobre’ o que as distingue. Análise de competências metalinguísticas de crianças mirandesas em idade escolar” (tese de doutoramiento).
Bista l’amportança de l’ambestigaçon de la Porsora Doutora Cristina Martins, subretodo pa ls pais i pa ls porsores, specialmente ls mirandeses, resolbimos anterbistá-la para dar a coincer essa ambestigaçon i, an special, las sues çcobiertas quanto al ansino de la lhéngua mirandesa. Fui nun cantico ameroso de la cidade de Coimbra, mesmo ne ls serenos cunhos de l Mundego, que stubimos dues horas a oubi-la falar de cousas que conhece bien a fondo i por que ten un antusiasmo que se mos apega lhougo als purmeiros minuitos. Ye ua grande amiga de l mirandés i de ls mirandeses, i muito podemos inda sperar de las sues ambestigaçones. Eiqui queda l que registremos de la cumbersa.

JN - An 2003 defendistes, na Ounibersidade de Coimbra, ua tese de doutoramiento cul títalo Líguas em contacto: ‘saber sobre’ o que as distingue. Análise de competências metalinguísticas de crianças mirandesas em idade escolar. Podeis dezir-mos, de modo resumido de que trata la tese?
CM - Peguei num problema concreto: os mirandeses supõem que o saber mirandês é um obstáculo à evolução escolar dos seus filhos (e, logo, à sua progressão social), na medida em que julgam que as crianças não conseguem distinguir bem o mirandês do português (que é a língua veicular do ensino). Tive desde o início a intuição de não deveria ser bem assim, mas também não sabia, na altura, dizer porquê. Admiti, inclusivamente, e quando comecei a pensar no problema, que pudesse haver alguma razão de ser para aquela crença generalizada. Na verdade, pelo menos dois factos objectivos poderiam, até, sustentar esta ideia fortemente implantada na comunidade mirandesa: em primeiro lugar, a acentuada e efectiva afinidade estrutural entre o mirandês e o português (i.e., o facto de as duas línguas serem realmente, e em numerosos aspectos, muito parecidas); em segundo lugar a circunstância de, nos dias de hoje, se observar uma competição entre as duas línguas para as mesmas funções comunicativas (i.e., o facto de não ser inteiramente claro qual o papel que cada uma desempenha na comunidade bilingue em questão). Durante largos séculos, as duas línguas não competiam entre si, pois cada uma ocupava domínios específicos e claros. O mirandês servia determinados objectivos comunicativos e o português servia outros. As duas línguas conviviam na mesma comunidade bilingue, mas não concorriam nos mesmos “espaços de interacção”, como hoje acontece. Ora, estes dois factos poderiam conferir alguma lógica à ideia de que as crianças mirandesas teriam dificuldades em reconhecer as diferenças entre uma língua e a outra e, assim sendo, não poderiam ser ignorados na equação do problema. Mas, e ao mesmo tempo, há muito conhecimento já acumulado sobre a percepção e a aquisição linguística infantis que me levaram a pensar que os factos objectivos que referi não deveriam impedir o desenvolvimento, nas crianças mirandesas, dessa capacidade de reconhecimento e de diferenciação dos idiomas.

JN - Qual fui, anton, la pregunta que bos apreponistes a respunder?
CM - A pergunta a que procurei responder foi: que tipo de mecanismos estão envolvidos na construção, por parte das crianças mirandesas, de uma percepção e representação diferenciadas de duas das línguas que convivem no seu ambiente de ‘input’, o mirandês e o português?
Parti do princípio de que essa construção tinha de começar muito cedo e que envolvia, entre outros, mecanismos de tipo metalinguístico. Traduzindo por miúdos, parti do princípio de que as crianças começam, desde muito, muito cedo, a olhar as línguas que ouvem e que falam como entidades materiais, i.e., como objectos. Reparam nelas e, portanto, elaboram ideias (mais ou menos explícitas) sobre o que observam. As crianças ‘sabem’, realmente, muito ‘sobre’ as língas que existem à sua volta: aprendem a reconhecer muitos dos seus padrões estruturais e também os seus padrões de uso na comunidade linguística. Como as crianças olham para as línguas,e olham para quem as usa e em que circunstâncias, não podem deixar, numa situação de bilinguismo, de reparar não só que as línguas são diferentes, mas também em que medida são diferentes.
A maior parte dos relatos sobre a aquisição bilingue parte do princípio de que a diferenciação das línguas é facilitada quando cada um dos idiomas é associado a um tipo de fonte ou interlocutor específico, por ex., cada um dos pais fala uma língua diferente com a criança ou, como em alguns casos de emigração, uma língua é falada em casa e outra fora de casa. Em Miranda, durante séculos, e como já disse atrás, também foi assim: cada língua tinha as suas funções específicas. Então, coloquei a hipótese de que, para as crianças mirandesas, e dada a actual situação de competição entre idiomas, poderia ser mais difícil e tardio o desenvolvimento do processo de reconhecimento da distinção das duas línguas (mirandês e português).
Pude verificar, porém, que, desde os seis anos, as crianças revelam que distinguem as duas línguas e que tal capacidade melhora com a idade, com a escolarização e, sobretudo, com a frequência da disciplina de Mirandês. Porquê? Porque este disciplina faculta às crianças conhecimentos específicos e dirigidos sobre o mirandês e, logo assim, também sobre o português! Estudar mirandês na escola funciona como uma espécie de atalho que facilita o processo de objectificação das línguas em contacto, ajudando ao reconhecimento e ao controlo sobre o que as distingue. Assim sendo, a frequência das aulas de Mirandês, muito longe de prejudicar o conhecimento que os alunos mirandeses têm da língua portuguesa, facilita o reconhecimento de que o português é uma coisa e o mirandês é outra. Para as crianças mirandesas inseridas no nosso sistema educativo é, todos estamos de acordo, muito importante a percepção da medida em que são diferentes o português e o mirandês. Ao contrário do que numerosas pessoas pensam e advogam, frequentar a disciplina de Mirandês na escola ajuda a alcançar tal objectivo.

JN - Porque ye amportante tratar l tema de l bilhenguismo ne l ansino?
CM - O bilinguismo é uma inevitabilidade, pois a maioria dos habitantes do planeta é bi- ou mesmo plurilingue. A ideia de que em cada país se fala uma só língua nunca foi verdade. O bilinguismo é, portanto, um dado da vida e um tema actualíssimo.

JN - Porque scolhistes tratar l tema de l bilhenguismo alredror l ansino de l mirandés?
CM – Por motivos pessoais, quis, desde o início da minha carreira académica, estudar o complexo fenómeno do bilinguismo, mas a sugestão de me dedicar, no âmbito da minha tese de Mestrado, ao caso mirandês foi-me dada pela minha orientadora, a Professora Doutora Clarinda de Azevedo Maia. Depois de ter concluído o Mestrado e de ter, por causa desse passo na minha carreira académica, conhecido de perto a Terra de Miranda e os mirandeses, não posso esconder que me moveram, para a escolha do tema para o Doutoramento, muitas razões afectivas. Senti, nomeadamente, que era importante contribuir, na medida do possível, para a requalificação do mirandês aos olhos dos seus próprios falantes, pois achei indignos os relatos pessoais que recolhi sobre atitudes de ridicularização e minorização dos mirandeses.

JN - Stávamos antes de ser aprobada la lei que recoinciu l mirandés ...
CM – Sim, pois comecei o meu trabalho de Mestrado em 1991. Mas houve outras razões para a escolha do tema do Doutoramento. Eu própria fui uma criança bilingue (português-inglês) e sei como beneficiei e como devo o sucesso da minha progressão escolar ao facto de ter tido acesso a um ensino formal bilingue. É preciso lembrar que, no meu caso, e como o meu bilinguismo resulta de uma situação de emigração, o português desempenhou precisamente o papel “de segunda” que o mirandês desempenha na comunidade mirandesa. Tal facto não impediu que o português tivesse sido sempre a língua falada em minha casa e não impediu que tivesse aprendido a ler e a escrever em português.
No caso da Terra de Miranda, a verdade é que havia uma questão premente no terreno: as pessoas pensavam que a aprendizagem do mirandês dificultava o sucesso escolar e social dos seus filhos. Ora, é legítimo que as pessoas queiram ter sucesso e é legítimo que queiram evitar todas as circunstâncias que julgam poder dificultar a obtenção desse sucesso, mas perturbava-me que pudessem pensar que, para melhorar as suas vidas, era necessário fazer tudo para erradicar a sua identidade linguística. Como não tinha argumentos consistentes para fundamentar estas minhas sensações e intuições e, logo assim, não tinha respostas para os mirandeses que assim pensavam, fui investigar à procura delas. Penso, aliás, que a investigação científica deve servir, também, interesses práticos. Pode ver-se esta questão em termos de ética democrática: sou professora de uma Universidade pública, a investigação que desenvolvo é financiada pelo Estado e eu tenho obrigação de retribuir com o produto da minha actividade.

JN - Que cunclusiones saquestes na buossa tese?
CM - As crianças vão construindo a sua representação das línguas desde tenra idade. Fazem-no também por construção metalinguística, isto é, pela transformação das línguas em objectos. Esse processo é espontâneo, natural e começa antes da entrada da criança na escola. As crianças têm curiosidade pelas línguas tal como em relação a tudo. Elas são, por exemplo, muito sensíveis às normas de interacção social, desde muito cedo procurando adequar as características do seu discurso ao interlocutor. Assim, uma criança muito nova, diante de um bebé, fala como os adultos falam para o bebé, mas já fala de modo diferente para outra criança. São particularmente sensíveis à identidade do interlocutor.
Nos testes que efectuei com crianças mirandesas verifiquei que, aos seis anos, as crianças já distinguiam perfeitamente as palavras mirandesas das portuguesas, apenas não sendo capazes de verbalizar essa distinção. Verifiquei que havia uma melhoria nessa capacidade de reconhecimento e de verbalização das diferenças entre as duas línguas em função de três factores: a crescente idade, o grau de escolaridade e a frequência da disciplina de Mirandês. Os alunos que frequentavam a disciplina de Mirandês eram os que melhor distinguiam o mirandês do português, o que prova que as aulas de Mirandês, também pelo facto de permitirem uma exposição à forma escrita desta língua, representam um benefício para as crianças.
Concluí, ainda, que as crianças estão ainda naturalmente expostas ao mirandês, isto é, que o mirandês se continua a falar na Terra de Miranda e que está sempre presente na vida das crianças, mesmo sem aulas de mirandês. O mirandês é uma realidade na vida destas crianças e não há, por isso, que meter a cabeça na areia.

JN - Anton, ls porblemas que ls alunos ténen cul pertués nun bénen de l ansino de l mirandés, mas teneran outras ouriges.
CM - Sim. Os alunos mirandeses têm os mesmos problemas que a generalidade dos alunos têm noutras regiões do país. Como pude comprovar através da análise comparativa de textos escritos por alunos mirandeses e por alunos de outras regiões do país, a esmagadora maioria dos problemas detectados é geral e não específica dos alunos mirandeses. Apenas um ou outro aspecto pode ser atribuído à influência específica do mirandês.
É preciso que se pense que noutras regiões de Portugal, não havendo mirandês, há, no entanto, distintas variedades do português faladas pelos alunos e no meio que os rodeia. Também podemos defender que as diferentes variedades do português não devem ser reprimidas, pois são identitárias (aliás, resta saber se erradicar a variação linguística é um objectivo ao alcance de quem que que seja). Dito isto, deixe-me sublinhar que sou das pessoas que defende que é dever fundamental da escola fornecer a todas as crianças um conhecimento tão sólido quanto possível da norma padrão. Esse é um dever de uma escola democrática, pois todos os alunos devem ser preparados para poderem “competir” com as crianças dos meios em que se fala a norma padrão.

JN - L goberno bai a poner l anglés na scuola purmaira, l que yá darie trés lhénguas pa ls alunos mirandeses. Hai uns dous anhos stube na Houlanda cul porsor Domingos Raposo i bimos que na Frísia l goberno tenie un porgrama de eiducaçon an trés lhénguas: houlandés, anglés i frísio, que ye la lhéngua de la region. Achais que l mesmo lema pode ser apuosto als alunos mirandeses?
CM - As questões colocam-se nos mesmos termos quer se trate de duas línguas, quer se trate de mais do que duas. Várias línguas podem ser adquiridas e aprendidas em simultâneo. O trilinguismo é, de resto, hoje muito frequente.

JN - Achais que l ansino de mirandés debe de ser oubrigatório?
CM - Não. Penso que é essencial haver liberdade. Além disso, não me parece que haja condições objectivas para essa obrigatoriedade.

JN - I quanto a ser ua deceplina curricular?
CM - Deve ser, sem dúvida, uma disciplina curricular. Essa é uma questão de dignificação da aprendizagem do mirandês. Deve alterar-se a situação actual quanto a esse aspecto.

JN - La deceplina de mirandés ye dada ua hora por sumana. Achais que chega?
CM - É muito pouco. O mínimo deveria ser de, pelo menos, duas horas semanais.

JN - Que cunseilho dais als pais quanto al ansino de l mirandés puls sous filhos?
CM - Aconselho-os vivamente a inscreverem os seus filhos na disciplina de Mirandês. Toda a evidência mostra que só beneficia o seu conhecimento sobre o próprio português. É pelo contraste que uma língua melhor se pode distinguir de outra, se pode tomar como objecto.
Quanto a os pais a falarem em mirandês com os seus filhos, posso dizer que não tenho nenhum dado que me diga que isso faz mal às crianças.
Anterbista feita por Amadeu Ferreira

07/09/17

Rio de Infinitos/ Riu d'Anfenitos


Lançamento do Livro “ Rio de Infinitos/Riu D’Anfinitos”
Sáb 09/09 - 14:30 (na sede da Junta de Freguesia). Comissão de Festas da Nossa Senhora das Graças - LAGOAÇA


Preça d´anfenitos

Ye la baranda de grades de la quelor de l tiempo
que me lhieba an brebe anleio i arrecelo d'entardecer.
Ye na baranda suolta ne l çcampado de l mirar
que m´astribo i m´antronco n´arble adonde me fiç.

Ye l toque na parreira de piel retesada
i resgada que me diç de l manantial que sentie
i de las scaleiras que chubie i abaixaba,
querendo antender-me ne l eimaranhado de la bida.

Era an preça d'anfenitos que la baranda se spraiaba.
I you, debruçada, a sentir-me nada, nun cabie an mi.
I you, nun suolo d'anquietudes a agigantar-me
pa las dúbedas que nunca resolbi.

Arrimada a ti,
parecie que l'aldé al loinge era eigual a la mie,
anque la raia mos falasse d'outra lhéngua
i d'outro paíç. Na mie baranda percebie la raia
i çcunfiaba que nien la binha, nien l'aldé q'abistaba,
tapában l rebolhiço de l riu
que bien fondo scababa l fragaredo.
Nien you nien l riu coinciemos lhemites
i indas que l aperto i l'anquietude,
saltábamos i corríemos
na priessa dun tiempo a çcubrir.

Teresa Almeida Subtil

05/09/17

Inda bien…





Inda bien que tengo la mimória chena de l tiempo dantes, daquel tiempo que un pai ou mai mandaba sou nino ou nina al soto que quedaba loinge, a meter ua carta ne l correio ou fazer un recado, a ser buieiro ou buieira i que nun percisaba de star cunsumida s'era roubada, s’andaba por ende un lafrau que le querie fazer mal, fazer danhos na sue pureza ou lhebar-la para siempre, matá-la para bender sues partes.


Inda bien que guardo an mie mimória l tiempo que las pessonas tenien palabra i desso fazien honra, éran amigas berdadeiras, que respeitában quien trabalhaba, quien falaba la berdade i que nun tenien cumo oujetibo chubir a la custa de l trabalho de ls outros, que s’era prouista pula purfeiçon i respeito puls mais bielhos que sabien, que la camaradaige i l’ajuda éran atos de l die a die, que nun era perciso çcunfiar de nadie, an special daqueilhes que stan al redror de nós.

Inda bien que guardo an mie mimória l tiempo que nun s’oubie to ls stantes, a to la hora zgrácias,, zgrácias de fuogos, que quéiman i spárban miedo, çtruindo l melhor de l nuosso planeta, que bótan fame i miséria an muita giente, q’outros se móntan pa palrar i anchir la boca de falsuras i mintiras.


Inda bien que naquel tiempo nun sabie l tamanho de l mundo porque agora que sei, sei que bonda un ou dous mandones, dolientes de la cabeça querer acabar cula houmanidade i que ténen modos de l fazer.


Nun son souidades de l “antigamente” que you sinto, ye de la pureza, de l’hounestidade, de l sprito sano que sinto falta i que nun hai. 


Se nun fusse assi, se nun tubisse andrento de mi esse eiquelíbrio, cuido que quedaba boubo.



01/09/17

Parece pouco l que se bai fazendo…






Mas siempre ye melhor que nun fazer nada, por un património cultural tan amportante cumo ye la Lhéngua Mirandesa…

… antre salimiento de lhibros i palhestras assi se fui dibulgando i pormobendo l mirandés esta temporada de berano.
Purmeiro an Sendin, por alturas de l Festibal Interceltico (FIS), l’Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa lhebou por alantre ne l die 5 d’Agosto ua sesson de Mirandés, antitulada “Yá Stá Screbido”, cun palhestra de l studioso, scritor i porsor Alfredo Cameirão an nome de l’ACLM i salimiento de ls lhibros: “Rio de Infinitos/Riu d’Anfenitos” de Teresa Almeida Subtil, “Meia Ambuça de Cuontas” de Faustino Antão i “La Mie Signa/Minha Sina” de José Gonçalves onde ls pormotores de las obras i sous outores fazírun çtaque de l antresse destes registros, pa la lheitura i la cuntinuidade de mantener ua lhéngua biba.  


Apuis fui ne l die 13 d’Agosto, an Zenízio que l’Associaçon C. i R. Sol Nascente an parcerie cula Junta de Freguesie pormobiu ua sesson antitulada “La Amportáncia de Screbir i Publicar Mirandés” an que la palhestra fui de l eilustre ambestigador i porsor Domingos Raposo i l salimiento de ls lhibros “Meia Ambuça de Cuontas” de Faustino Antão e de “La Mie Signa/Minha Sina” de José Gonçalves cun anterbençon de ls outores i repersentantes.


Ne l die 22 d’Agosto fui an Augas Bibas, pormobida pul’Associaçon C. i R. d’Augas Bibas i la Junta de Freguesie tubo lhugar ua sesson de mirandés i salimiento de l lhibro “La Mie Signa/Minha Sina” cun anterbençones de ls studiosos, scritores i porsores Alfredo Cameirão i António Cangueiro.



…puis assi se bai fazendo caminho, assi se bai dando cuonta i amboras a las gientes deste rico i balioso património que ye l mirandés, assi se ban relhembrando todos aqueilhes que ambestigórun, ansínan, trabalhórun i trabálhan, assi se bai respeitando la mimória daqueilhes q’amórun i áman la nuossa lhéngua, assi se ban bencindo andiferenças, squecimientos, çprézios, atalancadeiros, maldezires, ambeijas, tal qual fizo l pobo al lhargo de muitos seclos para traier esta fala anté nós, anté ls nuossos dies.


Bien háian todos.



23/08/17

X Ancuontro de Blogueiro de l Praino

Ende que l testo que Adelaide Monteiro screbiu de l X Ancuontro de Blogueiro de l Praino. Este anho l Ancuontro fizo-se ne l cunceilho de Mogadouro, na freguesie de Castelo Branco i ende queda un eicelente testo que la blogueira Delaide fizo para amostrar a to l mundo l que se passou.

"Décimo Ancontro de Blogueiros de l Praino, 
12 de Agosto de 2017

1- Un pouco de la Stória de Ls Blogueiros De L Praino
Era l anho de dous mil i uito. Dous amigos blogueiros, Alcides Meirinhos i Manuol Carbalho dou-le para pensar nun encontro de ls blogueiros , subretodo an lhéngua mirandesa. Assi l pensórun, assi se fizo. Die 22 de Agosto, die de feira de l Naso, ambaixo de la selombra de carbalhos se quemiu la posta i se falou mirandés, se criórun amisades.
Cumo siempre, Amadeu Ferreira botou çcurso cun aqueilha eiloquéncia i simplecidade que todo mundo le conhecie, un home que para alhá de muitas outras culidades, tenie ua grande halbelidade para ajuntar amigos, para fazer medrar l mirandés.
Soutranho outros amigos se ajuntórun i las lhénguas armanas de l mirandés, de Stúrias, Leon i Tierras d´Aliste, se fazírun repersentar por muitos jobenes de Associaçones de defesa dessas lhénguas “minurizadas”. Uns anhos apuis medrou la gana a giente de Mogadouro i la fiesta fui feita an Bempuosta. L anho passado fazímos medrar inda mais l território de ls Blogueiros de L Praino. Para alhá de se nomiar un mardomo de Castelo Branco de Mogadouro i d´Ourrós, fui nomiado un mardomo de Gijon que será an dous mil i binte.
Assi, l que parecie ser ua fiesta cun pessonas falantes de mirandés, la fiesta“Ls Blogueiros de Praino”nacírun-le alas i ye bé-la a çaracutiar porende afuora, arrastrando mais i mais giente, abrindo ls braços a todo mundo que querga benir.
2- Blogueiros de l Praino/2017, an Castelo Branco- Mogadouro
A las nuobe yá Eisaías Cordeiro, l mardomo, staba ne l adro de l´Eigreija para dar las buonas benidas a quien chegaba. Uns a horas, outros mais atrasados, l tagalho fui-se ajuntando para apuis se ampeçar la besita de la aldé, na Eigreija, ua eigreija mui antiga, de l sieclo XVI. De puortas abiertas, recebiu-mos na sue frescura, tan buona para un die tan caliente.
Apuis besitemos la praça precipal de l´aldé cun casas mui antigas i ricas, (ua aldé grande que an mil nuobecientos i sessenta tenie mais de mil i quenhientas pessonas), la scola pormária, la fuonte romana, l´eigreija de Santo Antonho, l lhagar d´azeite, l mais moderno nas redundezas a sou tiempo, adonde de mui loinge lhebában las azeitonas para fazéren l azeite, porque sigundo fui splicado por un hardeiro, cun modo çfrente de l fazer, rendie muito mais preduçon.
Subre un sol abrasador, chubimos ua lhadeira que mos lhebou al Solar de ls Pimenteles que, cun obras paradas, stá a spera que le tórnen a dar la glória que antiempos tubo.
Andando, i un cachico mais abaixo, sperábamos ua mesa puosta ambaixo dua lhatada nas traseiras de la casa de l mardomo, adonde Fernanda Cordeiro, sue tie, sues primas i outros fameliares nun parában de poner cousas buonas pal stómado, quemer i buer l que dou la gana, antre cumbersas d´amigos i l nacer de nuobas amisades. Un taco que fui mais que un taco i un sítio mais que un sítio, un museu agrícola cumpleto, muito mais que agrícola, un museu ourganizado na porfeiçon que mos lhebou a sonhar, fazendo-mos lhembrar l que an nuossas casas habie quando mos criemos nas tierras deste guapo Praino.
Apuis d' almuorço nun restourante de Mogadouro, drobados por un sol que queimaba, abinturemos-mos a besitar la Capielha de San Juan, capielha que dou l nome al bárrio adonde Eisaías mora i, cun polagueira a fazer ua nubre subre ls carros, a remissacar pul monte arriba, cheguemos a la capielha de Monte Velho, cun l Sabor a sous pies bien alhá ne l fondo, cheno de sede, a morrer de sed, nun fusse este Berano, un Berano de sequidon. Alhá, un carrasco cun mil i quenhientos anhos fazie la cuntinéncia, daba las buonas benidas i sobretodo, daba selombra.

Outra beç para ambaixo de las parreiras. La lhatada staba a spera, ls sentailhos i l´auga fresca i cerbeijas tamien.
Deilhi a sfregantes, ls guitarristas afinában las guitarras. Lhémbra-se-me que las cuordas crecírun pul caminho cun la calor, cumo dezie un guitarrista. La fadista, ua rapaza, ajeitaba l xal i ponie la berboleta alhá pintada, bien anriba d´ua teta. Éran meio porfissionales i portórun-se bien. Assi que las guitarras ampeçórun a trinar, se ua mosca passasse oubie-se. Fados, fados, palmas, palmas. Alguns, quando la rapaza mandaba cantar, amostrórun que tenien halbelidade i boç para botar uns fados balientes apuis que ls outros se scapássen.

Fernada i ajudantes tornórun a poner “pecados” anriba de la mesa. Pecados i mais pecados an stómados que nun stában precisados, mas cumo diç l outro, “quemer i ralhar ye só ampeçar”.
Fui assi que l serano naciu. Apuis que l buxo stá cumpleto, bien quemido i bien buído, la boç afina-se nien que nun seia afinada, las guitarras tócan nien que nun le stíquen las cuordas, la calor tenie passado porriba de la lhatada i la nuite fizo-se fado. Tamien un pouco de poesie, an mirandés i an pertués.
Apuis fui la Lhéngua Mirandesa que se alhebantou cumo farol, pula boç de Delaide, falando debagar para todo mundo antender, adonde apersentou la stória resumida de ls Blogueiros, animou ls persentes a ir no anho que bén a Ourrós, apuis a Dues Eigriejas, apuis a las Astúrias i porende alantre, quando outros mardomos se nomiáren.
Para alhá de todo, apersentou ls parabienes i ls agradecimentos a Eisaías i Fernada por mos tenéren recebido na porfeiçon, an sue casa i na sue aldé.
Yá nun tardarie muito para ser die 13 d´Agosto quando mos apartemos de la lhatada, contentos por habermos tebido un die cultural i sobretodo, un serano fantástico. Un die cheno, un die d´amisade i de sana cumbibéncia, un die de mirandés i de l Praino.

Neste die 12 d´Agosto, Castelo Branco, yá bielho i cun pouco oubido, puso ua mano atrás d´ua oureilha para oubir ua lhéngua que yá fui sue. Ua lhágrima caiu-le cara abaixo. Nós lhimpemos-le essa lhágrima i dezímos-le, Dius te l pague por mos teneres abierto la tue casa! Tu tenes muita hardança que l mirandés te deixou. La bida ye assi mesmo!"


20/08/17

An Zenízio (Miranda de l Douro) fui assi...


L'Associaçon C i R "Sol Nascente" an parcerie cula Junta de Freguesie stan de parabienes.
Pul porgrama i la realizaçon de las atebidades culturales i recreatibas porgramado i realizadas ne ls dies 13, 14 i 15 d'Agosto.

La quemunidade cumbibiu i quedou sastisfeita.

Ls poucos retratos q'eiqui deixo son ua proba de l'adeson, partecipaçon i sastisfaçon.

Die 13 d'Agosto

... uito i meia de la manhana, ajuntouro de ls caminantes....
...a meio de la caminada zaiuno...
 ...arrimado a la ua hora de la tarde, almuorço de l pobo ne l salon de Junta de Freguesie...


...a meio de la tarde, palhestra de l porsor Domingos Raposo i salimiento de lhibros an mirandés ne l mesmo salon.....
Die 14 d'Agosto 

...a la tarde realizou-se, cumo ye questume, l jogo de la bola de sulteiros i casados ne l campo de l Ramalhal....



 Die 15 d'Agosto.

 Jogos tradecionales

....durante toda la tarde fazírun-se ls tradecionales jogos de l fito, tiro al albo, raiola, corrida de sacos....
 

... a la fin fúrun antregues las taças i las medalhas a todos ls bencedores...

- Cuido, nó, tengo la certeza quien ganhou fúrun las pessoas de la nuossa aldé i ls nossos amigos que siempre mos besítan. Cul cumbíbio, la cunfratenizaçon quédan mais ricas las relaçones i todo al que mos lhiga a las nuossas ouriges i gientes. Quando se cumbibe i trázen las tradiçones, la lhéngua, ls questumes al de riba, trai-se muito de l nuosso passado, de l tiempo dantes i de ls nuossos, trai-se l melhor que siempre tubo i ten la nuossa aldé, la nuossa tierra.
Nun hai pula cierta melhor i mais balioso património q'este, la quemunidade cumbibindo.
Dius bos l pague a todos ls que trabalhórun para que assi fusse.

Bien háiades

30/07/17

Cumbite / Convite

Cumbite an Mirandés

Stimadas(os) associadas(os) cunterráneas(os) i amigas(os)

- Ancerido nas fiestas relegiosas, atebidades culturales i recretibas de berano que l'aldé de Zenízio pormobe ne ls die 9, 13 i 15 de l més d'Agosto, l'Associaçon Cultural i Recreatiba "Sol Nascente" an parceria cula Junta de Freguesie ten todo l gusto de bos ambiar l cumbite pa la sesson an mirandés " L'Amportáncia de Screbir i Publicar an Mirandés" i salimiento de ls lhibros:
- Meia Ambuça de Cuontas de Faustino Antão
- La Mie Signa / Minha Sina de José Gonçalves
Que será a las 16 horas de l die 13 ne l salon de l'Associaçon.  
 
Saludos


Convite em português

Estimadas e estimados sócios, conterrâneas(os) e amigas(os)

- No decorrer das festas religiosas, atividades culturais e recreativas de Verão que a aldeia de Genísio leva a efeito nos dias 9, 13 e 15 do mês de Agosto, a Associação Cultural e Recreativa "Sol Nascente" em parceria com a Junta de Freguesia tem todo gosto de lhe enviar o convite para uma sessão em mirandês, "A Importância de Escrever e Publicar em Mirandês" e o lançamento dos livros:
- Meia Ambuça de Cuontas de Faustino Antão
- La Mie Signa / Minha Sina de José Gonçalves
Que decorrerá às 16 horas dia 13 no salão da Associação.
 
Saudações

22/07/17

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http://www.mdb.pt/

Sou lheitor (bia anternete) de l jornal "Mensageiro de Bragança".

I cumo nun podie deixar de ser de las eicelente crónicas "La pruma braba" an mirandés de l cunterráneo i amigo, scritor, porsor António B. Alves, nas quales you  daprendo tanto. Son ricas, ouportunas, screbidas c'un sabedorie, d'un modo que to mundo puode ler.

Ls mius parabienes.

I querie deixar l sítio (Link) de la redadeira. Puis nun rejisti a fazer-lo, i partelhar culs lheitores deste blogue


http://www.mdb.pt/opiniao/la-pruma-braba-39

(ye só calcar ne linke a riba)